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Festa do Outono 2016 - Serralves


Após uma longa (demasiado longa) ausência, volto aqui. Não que não tenha já voltado, vezes sem conta, a escrever mentalmente ou mesmo digitando uma qualquer mensagem, que depois apago.
Podia referir mil razões ou uma só, ou nenhuma e todas ... mas se há coisa que gosto no facto de ter um blog, é que as regras são minhas, a decisão de falar ou não, é minha. Que me perdoem aqueles que esperaram, que procuraram notícias, não se sintam traídos, nem abandonados. às vezes é preciso respirar de outro modo, pensar e escrever com outras coisas que não palavras.
Mas adiante, que a vida são mesmo dois dias e às vezes até sabe bem voltar ao blog e "folhear" páginas de outras histórias com outras cores e formas.
Serviu de inspiração a viagem que fiz com a minha amiga Ângela até ao Porto com destino a Serralves para a Festa de Outono.


Fotografias aqui.

Começo por dizer que há um trabalho de importância vital que está a ser realizado, do qual este evento mostra apenas uma pequena parte: o projecto da Alice Bernardo (aka nouss-nouss, para quem segue blogs de crafts há pelo menos 10 anos, saberá de quem falo): o Saber Fazer.
Tal como sugere o nome, trata-se de um estudo/ investigação e acima de tudo registo físico de antigas artes e ofícios tão nossos como em vias de extinção e esquecimento. Desde as técnicas manuais de estuques de gesso, às manufacturas de cabeleiras, à arte de fazer sapatos inteiramente à mão, a toda uma panóplia de actividades que outrora deram trabalho (e orgulho) a muita gente, e que adquiriram modos próprios de se fazerem, inigualáveis, característicos até de cada região do país, mas que infelizmente caíram em desuso, no esquecimento irremediável.
Sendo a Alice uma apaixonada por têxteis, fibras e acima de tudo pelo próprio "saber fazer (e bem)" das coisas, os pontos fortes deste projecto são mesmo a lã, o linho e a seda. Matérias-primas utilizadas pelo homem desde sempre, ainda hoje muito presentes no nosso quotidiano, mas sobre os quais as pessoas desconhecem muitos aspectos, relegando ainda mais a sua importância para último plano.
Salientando a importância de catalogar e registar as várias raças de ovelhas existentes em Portugal, o Saber Fazer apresentou em Serralves, uma colecção de amostras de velos (lã tosquiada da ovelha) perfeitamente distintos, com o nome, origem, e até o preço médio da lã por Kg, evidenciando uma riqueza muito diversificada que importa conservar. A exposição constava de um "percurso" pelo processo da lã, no caso com destaque para a Ovelha Bordaleira de Entre Douro e Minho, que começava com o pequeno rebanho que habita a quinta da fundação, passando depois para a mesa de desbordagem (onde se retiram as "bordas" do velo que não se aproveitam e se prepara a lã para ser limpa). A visita guiada pela Alice, teve ainda a participação do Sr. Nuno Monteiro, da AMIBA que muito nos elucidou sobre as características específicas da raça Bordaleira EDM, completando assim toda a exposição, com algumas questões mais prácticas sobre a possibilidade de reabilitação e de lançar novas maneiras de trazer sustentabilidade à produção da Bordaleira e até de outras raças ovinas.

Depois pudemos observar como se "carda" ou "penteia" a lã, e ficámos a saber a diferença entre as duas maneiras de preparação, bem como as vantagens de uma e de outra. De seguida, pudemos aprender a fiar com o fuso (faltou a roca para ser a preceito!) ou com a roda. Em ambas as situações percebemos o difícil e moroso que é esta transformação da lã. Graças à paciência da Alice e muito também da Eglé Bazaraité, do projecto Salva a Lã Portuguesa e outra conhecida cara da craftosfera (Mosgos handmade), que incansáveis iam ensinando quem queria aprender.
Outra fase do dito percurso foi a da feltragem, ou a criação de um têxtil "não-tecido", com a enérgica Ana Rita Albuquerque, do Volume-atelier. Ali, a lã não carece de ser fiada, é antes "amassada" com água e sabão, moldada e assume um valor escultórico, tridimensional, o potencial é infinito.

Passando a outra fase, tínhamos o tingimento com tintos naturais, pela mão da Tita Costa, que também ouvia falar há muito tempo, mas que infelizmente não encontro referências. Maravilhamo-nos com as cores da casca de cebola, da casca de nós e de outras iguarias que não fixei o nome.

Por último a tecelagem, com vários teares de pequena dimensão, que avidamente as crianças mantiveram sempre muito ocupados, pelo que infelizmente não experimentei... Também não cheguei à divisão da cestaria, que esteve igualmente movimentada e que me deixou com vontade de voltar o ano que vem.

Todo o festival girou em torno de oficinas para todos os gostos e idades, artesanato, música, inevitáveis "comes-e-bebes", um excepcional cartão de visita da Fundação.

A camisola do Nathaniel - The Nathaniel's jumper

Bom dia a todos(as). Já lá vão quase 3 meses sem uma palavra por estas bandas... ai o tempo, ai a vontade, ai-ai...
Bom, a verdade é que se torna cada vez mais difícil disciplinar-me a escrever. Aturem-me se quiserem que também não perco o sono por causa disso, mas há alturas em que temos mesmo que falar só com os "nossos botões". É numa fase assim que me encontro.

Nevertheless, para desanuviar e arejar ideias, valha-nos a malha e as séries televisivas! Cá em casa somos aficionados de várias: Game of Thrones, True Detective, The Walking Dead, Downton Abbey, Dexter, Boardwalk Empire, The KillingHouse of Cards... e mais ultimamente uma arrebatou-nos o coração: "The Honourable Woman". Exímia em todos os aspectos, desde o argumento, aos actores, à fotografia (inusitada), banda sonora... adorámos! E como há coisas que não passam despercebidas a uma tricotadeira, tenho uma missão desde que vi um dos episódios: encontrar uma receita para esta camisola:

É lindíssima não é? Não mudava nem a textura do ponto que me parece p. inglês ou p. brioche, nem a cor de mostarda... enfim, há um grupo no Ravelry que me ajuda a procurar receitas e já me deu umas boas sugestões...
E por aí? O que têm vocês nas vossas agulhas? Que peça está na vossa fileira para a "próxima a tricotar"?

Meias de 5 agulhas - malha


Para quem está a começar, parecem um verdadeiro cabo dos trabalhos... mas ao 3º e 4º pares, nada garante que não nos enganemos e não tenhamos que desmanchar... e se custa desmanchar! (quando tenho que desmanchar muito num trabalho tento começar com outra parte/ ou recomeça-lo de novo e só depois regresso àquele novelo, ou seja, não desmancho logo, só quando tem mesmo que ser... assim não custa tanto). Mas importante mesmo é não desistir! O meu lema: "não há-de ser mais teimosa (a meia) do que eu!"

Estas são todas as meias que fiz até hoje. Só as do meio são dele, as outras são minhas. Da esquerda para a direita é a ordem pela qual nasceram. As 1ªas já têm quase 4 anos e já levam 4 invernos de uso muito intenso. 

Uma das coisas muito importantes a considerar quando fazemos meias, é a lã que utilizamos. Não convém ser muito sintética, pois além de se deformar e felpar mais, transpirará muito os pés e na hora de aquecer não funciona. No entanto, uma lã inteiramente de "lã", pode tornar as meias pouco laváveis, muito difíceis de enxugar ou passíveis de encolher... O ideal será uma lã maioritariamente de "lã" merino por exemplo, para ser quente, depois com uma pequena percentagem de fibras sintéticas (polyester, nylon, etc.) para lhes conferir elasticidade, leveza e alguma resistência às lavagens. As fibras muito delicadas como o mohair, a caxemira, a alpaca podem ser um bom complemento, mas não a base, pois seriam demasiado frágeis.
Há ainda o tratamento "superwash" em que a lã já vem com uma "pré-lavagem" e portanto quando a colocamos na máquina, já não vai encolher, tanto. Contudo, é melhor não abusar, a melhor maneira de lavar as lãs na máquina é com baixa temperatura (máx. 30º) e centrifugação curta ou nula. (isto se não quiserem ter o trabalho de as lavar à mão...)


Brevemente organizarei um workshop para quem quiser aprender a fazer meias, espero que gostem delas tanto como eu. Fiquem atentos às notícias!

Colete "cobertor de papa"

O Natal trouxe o frio em força e finalmente acabei o colete que havia começado em Setembro. Foi amor à 1ª vista, assim que a Retrosaria anunciou o "Cobertor", fiquei vidrada na ideia de o experimentar. Passei uma infância um bocado atormentada com anginas e sempre de cama, doente... em casa dos meus avós. O fiel companheiro desses tempos foi muitas vezes o cobertor de papa, enorme, pesado e felpudo, tão quentinho e macio... 

Nunca pensei que um dia viria a dispor desta matéria-prima e só vos digo que é ainda melhor ao vivo. As cores disponíveis são lindas e apetecíveis. Como é um fio grosso, o trabalho cresce rapidamente (sossegando a impaciência de o cardar). É também um fio que deve ser tratado com respeito e paciência, por ser singelo, sem torcidas,  a sua montagem nas agulhas revela-se um pouco morosa, pois tende a desfiar-se. No entanto, é um gosto de tricotar, muito fácil de "ler" o ponto que desenha. Apesar de parecer muito áspero e rude após tricotar, garanto que depois de cardado é surpreendentemente macio, delicado e muito bonito.
Fiz o colete numa peça única, apenas costurei as duas "alças". Apeteceu-me desenhar com as duas cores, pelo que o trabalho ficou muito mais demorado, pois ficou cheio de pontas para rematar. O resultado é no entanto, muito satisfatório, ficou com um aspecto rústico mas muito delicado.




Atelier Sandrine Vieira, Leiria

Inaugurou este sábado passado e é um espaço que vale a pena visitar: o Atelier/ Loja Sandrine Vieira. Fica na Rua "Direita" em Leiria, mesmo por cima do Espaço Eça e à frente da Caprichos.

Ali podem apreciar peças da própria Sandrine, com todo o bom gosto a que já nos habituou, mas também de vários outros autores e não só jóias, mas acessórios de moda, decoração, produtos gourmet, pinturas e gravuras... Também algumas das minhas peças estão e continuarão a estar presentes.

Preveem-se  ainda vários eventos e oficinas nos próximos fins-de-semana! Podem seguir toda a informação nas páginas do facebook.


Packaging matters! A embalagem conta!

Serão de ontem, o caos na minha mesa reina há já umas duas semanas... antes foram as novas peças, agora as suas embalagens.
Com uma Inauguração este sábado, tem que estar tudo a postos tão rápido quanto possível...

Yesterday's working night, kaos rules my table since the last two weeks... first it was the new pieces making, now their very own dedicated packages.
There will be an Openning this Saturday, I want all to be perfect ready!

Inauguração Sandrine Vieira Atelier - 22Nov 16:00-20:00
Rua Barão de Viamonte (Rua "Direita") nº8 1º andar
em Leiria - Portugal


Malha como ela é no século XXI

Quase um ano depois do primeiro encontro em Leiria do Gang da Malha, já somos muitas, cada vez mais próximas. Aprendemos muito, ensinamos, rimos e acima de tudo, na minha modesta opinião, percebemos que há muitas maneiras de chegar a um mesmo destino(s), muitos modos de fazer, de pensar e isso permite-nos uma abertura e descontração maiores, tão importantes na vida.

O tricot é assim uma espécie de prova constante, não há propriamente um fim para o desafio, cada projecto representa uma nova etapa, novas dificuldades e obriga-nos a uma busca de soluções que exercita a criatividade e a paciência.

Se por um lado o renascer das malhas veio deitar por terra tabus como "ser coisa de avozinhas", ou " para fazer roupinha de bébé" ou mais "coisa de mulher doméstica", menos formada, ou menos "inteligente", por outro, passou a levantar novas questões, a ser explorado por pessoas tradicionalmente ligadas a outras áreas, técnicas e intelectuais que vieram introduzir novas ferramentas e propósitos ao tricot e não só.

Já não chega simplesmente reproduzir mais ou menos um modelo de revista, é pouco... porque não adapta-lo ao nosso gosto, à nossa forma? E porque não, usar uma aplicação no smartphone para automaticamente calcular as malhas que preciso para a minha camisola? E porque não, ligar o computador a uma "impressora" que é mais uma máquina de tricotar?

Desengane-se quem pense que isto é tudo uma questão de "moda" ou que é por ser tão moderno e actual que é "fixe" fazer malha... Aquilo a que se assiste é a uma verdadeira revolução na arte de tricotar, pois simplificando as tarefas mais "aborrecidas" consegue-se desenvolver as outras, as de construção, de design e de novos modos de fazer, sem no entanto deixar de ser uma actividade pessoal, "handmade" de pequena escala e por isso mais intimista e única.

A ler: este post da Rosa Pomar, sobre um destes exemplos de como se pode ver o tricot com outros olhos.

este vídeo, que me deixa com uma vontade louca de um dia visitar a Woolweek.