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New Year, new dawn


É nesta altura que procuramos "arrumar" as coisas, fazer um inventário dos acontecimentos, um balanço entre as coisas boas e más... se cumprimos os objectivos que nos auto-propusemos no ano anterior. Ou pelo menos, assim me diz a minha consciência, que "devia" pôr tudo em dia.

Mas apesar de muitas coisas boas, e digo mesmo muito importantes, terem acontecido este ano (a vinda do J, a minha ida à RTP, a crescente vontade de tornar este projecto mais sério ...) apesar de tudo isso, 2009 acabou com um travo amargo.

Uma das minhas matriarcas, a minha avó materna, não viu amanhecer o dia 1. Era dona de muitas primaveras, com uma e mil estórias na algibeira para contar a quem lhas ouvisse. Era feita de aço desse que se vai impregnando até que às vezes pouco deixa ver do coração. Era uma lutadora porque a vida assim lho ditou, que com 9 anos tinha que trabalhar de "cantoneira", como essas pessoas que assentavam pedra nas ruas, calcando-as com um maço... Mais tarde, apenas filha de mãe, já que o pai as deixara tinha ela 2 anos (numa aventura até ao Brasil, que nunca mais ninguém o viu) continuou a trabalhar em vários trabalhos, desde o campo até à empalhação de garrafões. Desta última actividade, os seus dedos contorcidos eram as provas de tão árdua tarefa. Mas não se pense que não era amiga dos seus, ou pessoa bem disposta, de riso fácil. Não devo ter memória de um dia em sua casa sem haver uma interminável manta de crochet, feita com todos os pedacinhos de lã (possíveis e imaginários) que conseguisse angariar entre amigas, vizinhas, lojas... ou então, resmas de quadradinhos de tecidos preparados para fazer mais uma almofadinha de retalhos. Adorava colecções, ela era cromos, calendários, moedas, revistas, garrafinhas em miniatura!!! Era uma casa colorida, sempre com alguém a chegar, ou a sair... as primas, as tias, as filhas, as netas, as vizinhas (sim eram quase só mulheres) e todos os dias cheirava a café "à turca" e torradas com becel. Em dias especiais, em que "as primas" estavam todas juntas no sofá debaixo de uma manta de lã, haviam pipocas, numa taça enorme, com açúcar e canela. Vamos ter saudades Maria.

Assim fica apenas a imagem da manhã trágica de hoje (que de trágica teve apenas o céu carregado e o sol que durante segundos lhe tentou fazer frente), já que tragédia nenhuma aconteceu, apenas a vida se cruzou com a morte numa data (agora) menos alegre.

Contra tudo isto, e numa perspectiva mais positiva, desejo a todos um excelente 2010, cheio de todos os sucessos e na companhia dos mais queridos!


3 comentários:

  1. As memórias ficam para sempre e as tuas memórias parecem ser muito doces. Será assim que a lembrarás para sempre.
    Beijos grandes!

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  2. Que bom poderes lembrá-la assim...
    Beijinhos Sara, e um bom ano para ti também.

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  3. Olá,descobri o teu blog através do Etsy,que peças bonitas e originais : )
    A vida assim como nos dá doces recordações também nos dá força para continuar,
    Bjinho grande e um novo ano cheio de coisas maravilhosas. Ana

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