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Cortes - Mercado semanal

Ribeiro do Rio Lis visto da ponte que dá acesso ao largo do posto médico, onde se realiza a feira .



Hoje fui à minha aldeia, ao sítio que me viu crescer e onde aprendi o que sou... dito assim até parece que dela me apartei, que estou longe e que já não sou de lá. Enganam-se, vivo perto, 5 minutos de carro, mais ainda: vou lá todas as semanas ao banco, ou à farmácia ou simplesmente de passagem.
Mas a verdade é que há já muito tempo que não vivo aquela terra, que não conheço praticamente quem lá vive, que já não sei quem é o "Ti Chequim" ou a "Ti Júlia"... ou até sei mas são eles que já mal me conhecem. Nem eu, nem os meus pais habitamos mais nesta terra, força dos tempos, das vontades. Há no entanto, um carinho muito grande por aquele sítio, o rio, as gentes...

Soube há pouco tempo que há agora um mercado semanal, uma feirinha aos domingos de manhã. Levantei-me mais cedo do que é habitual (que o domingo é dia de carregar baterias e dolce fare niente!) e fui com a minha amiga D, também ela companheira de uma infância rural, onde fazer das pereiras e macieiras "casinhas", era apenas óbvio.
Esperava muito pouco, confesso. Pensei que apenas algumas pessoas estariam interessadas em participar, ou que muito poucos se dessem ao trabalho de visitar semelhante evento. Mas não, estava redondamente enganada: desde frutas, legumes, hortaliças, licores, bolos, lenha, flores, latoaria, cerâmica, vestuário, acessórios, brinquedos e jogos... enfim de tudo um pouco se vende ali.

Alfaias e ferramentas





































O público era muito e variado, local e não só. Os preços são em muitos casos bem mais simpáticos que nos supermercados, sendo que ali , o que compramos vem quase sempre livre de pesticidas, de embalagens poluentes, de alterações genéticas... mas acima de tudo: com um sorriso! Dois dedos de conversa, um abraço caloroso, uma piada sobre uma história de outros tempos.
Tudo isto me traz a memória do meu avô, do jeito simples com que me ensinava a apanhar a fruta das árvores, torcendo o pícaro sem o quebrar (para a fruta não apodrecer tão depressa); de como me ensinou a compor uma caixa de madeira com papel pardo e a encaixar as maçãs e as pêras de modo a mostrar-lhes a parte mais bonita. Ou ainda, de como me levava no seu tractor assim que começavam a despontar os primeiros botões nas macieiras, só para eu ver as flores que depois dariam os frutos.
Sinos e sinetas com galos, vacas e outras decorações





































Tenho muitas saudades dessas coisas, de como era leve a vida, própria talvez do olhar de uma criança, mas mais ainda do contacto com a terra, com aquilo que ela nos dá, com o respeito que lhe tem quem dela colhe.
Por tudo isto foi uma manhã deveras bem passada, onde quero voltar e encher de novo os sacos e a alma.
Aconselho a quem quiser experimentar, dizem que se forem bem cedo apanham o padeiro que depressa esgota o seu cabaz...
Velharias e acessórios, roupas recicladas e artesanato

























































Lindos alguidares e potes e maceiros e travessas de barro vidrado

A banca da Ana Rita com a sua avó Júlia

Tomates "Coração de Boi", Pimentos verdes, Courgettes, Pêra "Amêndoa"e Ameixas

Flores para secar "Sempre-vivas"

Jarro de barro vidrado e duas tacinhas a condizer, alhos secos e cebolas

Malaguetas "Piri-piri" em vaso

3 comentários:

  1. Agora fiquei comovida, sobretudo como descreveste aquilo que o teu avô te ensinou. O meu disse-me exactamente as mesmas coisas!

    bjs

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  2. :)
    E como essas coisas nos ficam cá guardadas... beijinho grande Eva!

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  3. Não conhecia, tenho de lá ir um dia :) Obrigada por partilhares!

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