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Take a walk on the "green" side of life - Delírios campestres


Com o sol vêm as caminhadas, os passeios de bicicleta e a vida ao ar livre sempre que é possível. Continuo a ficar encantada com os campos cultivados, com a simplicidade com que o perfume de uma meda de feno me chama a atenção, com a fragilidade dos primeiros brotes de um milharal.

Influência (ou não) do contexto em que trabalho, a proximidade do campo, da agricultura e durante a última quinzena, a preparação da participação da nossa empresa na FNA em Santarém... tudo me faz pensar que urge um regresso (mas não um retrocesso) às origens.
São várias as condicionantes, não ignoro que a famigerada "crise" não seja a razão impulsionadora para que tantos voltem ao cultivo da terra, à contenção nos seus gastos, a dar valor ao que cá se produz, mas também acho que muita desta gente que está a regressar à terra, ou a encetar um novo percurso pelas actividades mais foro artesanal, o fará não apenas por "necessidade" ou "subsistência", mas porque há um histórico, um recente percurso de industrialização selvagem, de produção massificada e de "enriquecimento a qualquer custo" que já se viu não trazer nada de bom a longo prazo. Principalmente porque se revelou num conforto apenas aparente, muito frágil e de algum modo escravizante: quanto mais ganhas, mais gastas e mais tens que ganhar... e é tudo uma espiral sem fim.
Lembro-me de crescer na ideia muito "anos 80" de estudar, trabalhar e ter muito sucesso, e juntar dinheiro para construir uma vivenda... enfim, aquele cliché próprio de uma sociedade que vivia uma  expansão acelerada, muito positiva e acima de tudo baseada no crédito, fazendo-se crer que tudo era possível e inesgotável. Querer mais um carro, mais uma casa, mais umas calças ou um qualquer capricho era normal e até sinal de uma salutar "ambição". Hoje vejo muitas pessoas que construíram assim a sua vida, baseada no "ter" e no "querer ter", que construíram verdadeiros impérios, de bens e propriedade. Eram aparentemente pessoas seguras, de bem com a vida e pareciam ter o (seu) mundo na mão. Só que um dia a crise chegou, não avisou ninguém e cobriu tudo com uma sombra bem escura. Já não há carro novo, nem férias, nem roupa... nem comida. E toda aquela vida que se construiu parece agora condenada, definha e desaba qual castelo de areia na hora da preia-mar.
Isto tudo para me trazer até aqui. Até ao ponto que me leva a querer uma vida mais simples, um existir mais para "ser" do que para "ter", uma vivência que me ensine todos os dias algo e que me faça acima de tudo apreciar o que há de bom neste mundo, sem viver frustrada pelo que não tenho, sem dever o que não tenho (e o que se calhar nem terei!) ao banco ou escrava de um carro ou de uma porcaria de um modelo de telefone novo.
Poderão muitos dizer que os "jovens" hoje não querem responsabilidades, que lhes faltam ambição... os "jovens" querem as duas faces da moeda: querem "ter" e "ser".
E será isto tão errado ou pouco "ambicioso" assim? E se voltarmos a cultivar o campo, mas não deixarmos os ipods em casa? e se depois de dar de comer às galinhas ou ordenhar a vaca formos pôr a cusquice em dia no facebook? isso fará de nós mais ou menos que os nossos antepassados? e por aí fora, podemos ler o "Guerra e Paz" enquanto pastoreamos ou aprender uma língua nova enquanto descascamos ervilhas.
Claro que tudo isto são pensamentos, são deambulos por hipotéticas alternativas que neste momento me são distantes, e talvez por isso se me vislumbrem interessantes, mas nunca se diz nunca e há muitos que já abraçaram projectos mais "verdes" em nome da felicidade.





5 comentários:

  1. Acho que muitas pessoas, principalmente da nossa faixa etária, se sentem "esmagadas" pela responsabilidade que deriva do consumo... A estética "mundoflo" assenta que nem uma luva neste desejo de simplicidade: linhas puras, cores leves e sóbrias, materiais naturais e bem saber fazer.
    Um beijinho grande para ti também Adriana. :)

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  2. Concordo contigo... E por aqui esta semana moram duas cabras no quintal, estas são mesmo nossas. Abraçamos esta vida porque queremos, porque faz falta neste mundo sermos mais da terra ;)

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  3. A sério Sara? tens duas cabras?! Lindo!

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    Respostas
    1. Tenho pois :D
      E ele ainda quer trazer mais uma para casa para criar ;)

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